Hackers invadem sistema da CELPA e zeram mais de R$2 milhões em dívidas, no Pará


O grupo de criminosos que fraudava o sistema da Celpa desviou, pelo menos 2 milhões reais da concessionária de energia elétrica, transferindo débitos de contas de alto valor após invadirem o banco de dados da empresa. A informação dos valores foi repassada na tarde deste quinta-feira (24), em entrevista coletiva na Delegacia Geral de Polícia Civil, em Nazaré. O valor de dois milhões é o calculado até agora pelas investigações, mas segundo a Polícia, o número pode ser bem maior.

O esquema 
Segundo a delegada Vanessa Lee, Diretora da Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos 
(DPRCT), o esquema funcionava da seguinte maneira: os criminosos invadiam o sistema da Celpa, escolhiam as contas de alto valor, e entravam em contato com os devedores. A dívida de menor valor adulterada por eles seria algo em torno de 100 mil reais, e a mais alta, passava de um milhão. Eles pediam uma porcentagem daquele valor para eliminar o débito, e diluíam o total em contas menores, de pessoas com renda mais baixa e que não poderiam ter aquele tipo de consumo de energia. Foi a partir desse detalhe que a DPRCT começou a investigação, há nove meses.
Geralmente, os bandidos usavam uma técnica chamada de phishing, onde eles obtinham de informações pessoais de funcionários para entrar no sistema virtual. Eles enviavam emails, fingindo serem da Celpa, para funcionários da concessionária, pedindo que eles atualizassem dados como senhas e logins. Com essas informações, eles conseguiam acesso ao sistema para fazer os golpes.
Outro método era mais simples: eles apenas aliciavam funcionários da empresa, sugerindo que eles fizessem parte do esquema voluntariamente. Amanda Cristina Barata de Oliveira Silva, inclusive, é uma ex-funcionária da empresa, e é considerada uma das articuladoras da quadrilha, ao lado de Bruno Couto Carvalho.
Riquezas
Quem participava do esquema tinha uma vida de luxo, comprando fazendas e demais imóveis, além de ostentando em viagens. Bruno, por exemplo, compartilhava em suas redes sociais viagens pelo Brasil e exterior, chegando a pedir sua noiva em casamento em um trio elétrico no Carnaval de Salvador.
Agora, todos seguem presos à disposição da Justiça. A Polícia entra em uma nova fase da operação, para identificar todas as empresas e pessoas físicas que se beneficiaram do golpe.
Procurada pela reportagem da redação integrada do jornal O Liberal, a Celpa informou, por meio da nota, que acompanhou e contribuiu com as investigações da Polícia. A empresa disse que o seu sistema de Segurança da Informação recebe investimentos constantes para que as informações dos clientes sejam mantidas em total segurança.
"Nas situações relatadas pela Polícia, a concessionária agiu junto ao Órgão, para que as ações dos criminosos fossem coibidas imediatamente", disse a concessionária.
A Celpa também esclarece que, imediatamente após a identificação das ações irregulares, adotou todas as iniciativas necessárias visando promover as devidas adequações.
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